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Paula Brenneisen – Psicóloga Clínica

Apoio Clínica 30382888 - 98049372

Ser uma pessoa livre significa ser consciente do seu direito em simplesmente não querer algo e embasar suas atitudes e comportamentos conforme suas convicções, sem medo da rejeição ou da solidão, pois está seguro de si. Por questão de interesses se pode dizer que algumas instituições não almejam pessoas com essa força de vontade desenvolvida, pensamento maduro e consciente que atuem e assumam a responsabilidade. Dessa maneira existem formas diferentes de manipulação em níveis variados, como na área social, política, da mídia ou nas relações interpessoais a qual daremos enfoque neste artigo.

Não é possível o estabelecimento da relação de manipulação se não houver a interação entre um indivíduo manipulado e um manipulador, na qual um se torne tão dependente quanto o outro. Esse tipo de relacionamento pode ser constatado quando uma pessoa se sente pressionada a fazer algo que não quer ou é coagida de alguma maneira por alguém, agindo de forma a abrir mão do livre arbítrio e se colocar em uma situação onde pode acabar consentindo com algo que apenas beneficia outrem.

Para que não seja manipulada a pessoa deve ser capaz de impor limites em suas relações, avaliando a situação previamente e dizendo não quando algo não lhe convier. Pode parecer simples dizer algo que deveria ser tão comum, no entanto, a base do relacionamento de manipulação se encontra no sentimento de medo do julgamento alheio, medo de ser rejeitado pelos outros, por isso é incapaz de dizer não na maioria das ocasiões. O manipulador ao perceber tal fraqueza tão sutil, joga com o manipulado, de forma a que esse pense que não será ou que será julgado como um fracassado, caso não venha a agir conforme a vontade desse outro.

Algumas características podem ajudar a identificar bem quem são as pessoas manipuladoras, a fim de trazer informações tornando os sujeitos mais conscientes nos seus relacionamentos e também estabelecer relações mais efetivas. Tais características podem ser: vitimização; culpabilização do outro pelas consequências de suas próprias atitudes; mudança brusca de comportamento perante pessoas diferentes; julgamento alheio exacerbado; sentimento de superioridade; egoísmo; levar em consideração apenas seus anseios sendo os dos outros desinteressantes.

No entanto, assim como o manipulador o manipulado também tem características distintas. Estas podem ser: vulnerabilidade; baixa autoestima; facilmente influenciado; dependente emocionalmente de outros; prevalência do sentimento de medo; necessidade de aprovação. Por que alguém renunciaria suas próprias vontades perante as vontades do outro? Em que esse indivíduo se beneficiaria por tal comportamento? Por que para ser agradável é necessário sempre dizer sim? Para esse indivíduo ser capaz de construir relacionamentos mais efetivos seria necessário ir em direção a uma autonomia emocional, para isso se faz necessário rever suas crenças.

Também é importante ressaltar que ninguém é capaz de estabelecer uma relação de manipulação sem o consentimento do manipulado que se deixa influenciar. Desenvolvendo a autonomia emocional a pessoa pode compreender quando deve dizer não, impondo limites aos outros e, assim, demonstrando valorização pessoal, tornando-se consciente de quem ela é, o que deseja, o que é melhor para si e o que não é, fortalecendo a autoestima e a confiança em suas convicções, em outras palavras começará a entender seu valor e o que merece não aceitando menos do que isso.

O consumo é a atividade econômica que pressupõe uso da racionalidade em sua prática e se ocupa da aquisição de bens, que podem ser de consumo, de capital e de serviços. O consumo é inerente à sociedade, no entanto o que preocupa hoje é o consumismo, ato caracterizado pela compra compulsiva sem que o sujeito esteja precisamente consciente dessa necessidade. Um consumidor consciente compra de forma racional e por necessidade, já o consumista compra para satisfazer sua angústia, itens sem necessidade, por impulso, sem racionalizar sua necessidade real, e o faz na busca pelo prazer instantâneo.
A partir do século XVIII o modo de viver das pessoas sofreu uma significativa mudança com o processo de industrialização. Os bens de consumo acabaram por se tornar mais baratos, assim, muitas pessoas puderam usufruir de bens de lazer e de bem estar antes utilizados apenas pelas classes mais abastadas da sociedade. Houve um “boom” no consumo, o que dá surgimento a um fenômeno denominado de “hiperconsumismo”, esse processo pode ter culminado para a emancipação do indivíduo frente às imposições morais da sociedade, o que leva  à liberação sexual, à ruptura com obrigações morais, à ausência de ideologia num estilo de vida “à la carte”.
O século XIX foi marcado pela necessidade de descartar que era "sólido" (inflexível, limitado, pré-determinado), substituir pelo "desejo" (ilimitado, expansível, desenfreado). A prática de consumismo foi iniciada a partir de 1930, esse período é considerado como a “era do vazio” por conta desta descontração observada na educação, nos papéis sexuais e na vida política. A busca pelo prazer como objeto de vida ou hedonismo traz aos sujeitos decepção constante, uma vez que precisa ser buscado novamente para satisfazê-los, tornando-se assim um ciclo que não cessa entre prazer instantâneo, superficial, a decepção e, novamente, a busca pelo prazer. No século XXI seria a vez de descartar o desejo e substituí-lo pelo querer. É a libertação do princípio do prazer, trazendo o imediatismo, faz com que a compra passe a ser casual espontânea, inesperada e incessante.
O consumismo pode ser relacionado a um vício; esta compulsão por compras é semelhante ao uso de drogas pelo fato de que quanto mais a pessoa procura mais ela precisa, se mais ela precisa mais ela sofre quando privada do seu vício, e mais ela busca satisfazer sua necessidade formando um ciclo vicioso, e como todos os vícios existe a impossibilidade de atingir a satisfação plena e duradoura, ela é sempre passageira.
Porém, como se dá este processo? Os adultos que hoje praticam o consumo e descarte incessante, já nasceram na lógica do consumismo. Desde crianças foram ensinados a consumir pelos pais, pelos colegas da escola e principalmente pelos meios de comunicação. Imaturas e sem capacidade de escolha, as crianças assistem às propagandas elaboradas cuidadosamente por profissionais para sugestioná-las, em seguida pedem aos pais que comprem o objeto e, ao adquiri-lo, logo sentem necessidade de outro.
Se o ato desenfreado do consumismo for comparado a outro fenômeno da atualidade, que é o da dificuldade das pessoas em estabelecer relações interpessoais profundas e duradouras, podem-se perceber similaridades. Os seres humanos escolhem pessoas para suas relações como quem vai às compras, ao adquirir um novo objeto ele é usado, tira-se dele satisfação e conforto, logo descartado e adquirido outro. Existe uma busca por evitar dependência das relações e uma valorização do eu, possivelmente desvalorizando o que não for ligado a este.
As pessoas "vão às compras" também quando querem fazer novos amigos e de se desfazer dos que não mais interessam; pelos modos de atrair atenção e de se esconder da crítica; pelos meios de receber afeto e pelos meios de evitar a dependência do parceiro amado; pelos modos de obter amor e o modo de acabar com uma relação quando ela deixar de agradar; pelo meio de poupar dinheiro e o modo mais conveniente de gastá-lo antes mesmo de tê-lo adquirido.
Como contornar esse processo? Não é fácil. Há quem necessite de ajuda profissional. De uma maneira geral é preciso que as pessoas tornem-se conscientes sobre o assunto, procurem se interessar pelo outro de modo a não valorizar apenas a si mesmo, revendo seus conceitos e valores, de modo a não ser influenciado pelo processo do consumismo, procurando perceber as ações da mídia e sendo capazes de desenvolver a capacidade crítica.


Paula Brenneisen - Psicóloga Clínica – CRP 08/21179
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Os números são alarmantes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 350 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de depressão e cerca de 850 milhões por ano cometem suicídio. O Brasil está classificado em 3º lugar com mais depressivos, são em torno de 13 milhões de casos, sendo que 2% a 5% dos diagnósticos são de crianças.
Mas o que é depressão? Pode-se dizer simplificadamente, que existem dois tipos dela: a sem causa ou a com causa. A primeira está relacionada à pré-disposição ao desenvolvimento da patologia, tendências genéticas aliadas ao estilo de vida e também ao desequilíbrio de substâncias químicas no cérebro, como serotonina, dopamina e noradrenalina responsáveis pela regulação do humor. Já a depressão com causa é decorrente de um ou mais acontecimentos na vida da pessoa que culminam para o desenvolvimento da doença. Em ambos os casos além do tratamento com medicamentos, se faz necessário também o acompanhamento em psicoterapia.
A primeira etapa do tratamento consiste em admitir que se sofre de depressão e buscar ajuda, a OMS enfatiza, quanto antes se coloca o tratamento em andamento, mais eficiente ele o é; além da necessidade da  participação ativa da pessoa deprimida e de seus familiares, fatores essenciais para o processo de superação da doença.
Existem tratamentos muito eficazes contra a depressão, no entanto menos da metade dos depressivos recebem os cuidados de que necessitam. A Psicoterapia da Abordagem Cognitivo-Comportamental é a que mais se aproxima da Neurociência e proporciona ao cliente um aprendizado sobre o seu próprio funcionamento, elaborando estratégias para o estabelecimento de um equilíbrio interno, levando em considerações os pensamentos, emoções e comportamentos do indivíduo perante a vida, com objetivo de promover uma reestruturação e readaptação. É indicada tanto para prevenção da depressão, quanto para pacientes que já se encontram em atendimento psiquiátrico sendo de grande importância para o sucesso do tratamento e reabilitação do paciente.


Paula Brenneisen - Psicóloga Clínica – CRP 08/21179
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ESTRESSE NO TRABALHO TEM SOLUÇÃO!

O trabalho é capaz de adoecer e o principal responsável por isso pode ser o estresse. Mas afinal que mal é esse que tem rondado tantas pessoas? O estresse se constitui de um mecanismo de defesa do corpo que pode desencadear sintomas, tanto físicos quanto psicológicos. O mesmo pode ser causado pela ansiedade devido a mudanças no estilo de vida e à exposição a um ambiente ou situações anormais, fazendo com que o corpo libere mais hormônios como a adrenalina e o cortisol provocando os seguintes sintomas: taquicardia; tensão muscular; boca seca; dores no estômago; irritabilidade; distúrbio no sono e apetite; sensação de cansaço; dificuldades na memória.
O corpo diante da percepção de um evento estressor normalmente reage de forma adaptativa, ou seja, ao constatar uma nova situação o corpo se prepara para enfrentá-la e por fim se adapta, dessa maneira atinge a elevação da resistência do organismo e estará mais preparado para situações futuras semelhantes. Depois de toda essa tensão e saída da zona de conforto, o corpo retorna para um estado equilibrado de relaxamento, pois apenas com descanso suficiente, o organismo é capaz de manter o equilíbrio necessário para a manutenção da saúde. Assim se o corpo continuar sendo exposto a mais eventos estressores, não terá capacidade de retornar ao estado de relaxamento inicial, o que a longo prazo, afeta a saúde do sujeito, portanto pode-se dizer que pessoas que possuem maior capacidade de adaptação a situações novas são menos susceptíveis à instalação do estresse e também mais resilientes.
Resiliência é o termo utilizado para se referir à capacidade das pessoas em retornar ao estado normal após um evento de adversidade.  Ainda relacionado ao termo, está a boa administração das Emoções, a habilidade de se manter sereno diante de adversidades da vida, o bom controle de impulsos para se manter racional e não agir no "calor das emoções", o otimismo de acreditar que sempre há uma maneira de melhorar, a análise do ambiente de forma a identificar as causas dos conflitos, a empatia que significa a capacidade de compreender as emoções e sentimentos dos outros, e a crença de que a pessoa tem de si mesma para resolver os próprios problemas. Em outras palavras a resiliência é a capacidade de encontrar a "passagem secreta" de um "beco sem saída", em outras palavras, a habilidade de encontrar uma solução quando a situação aparentemente não possui resolução.
Exemplificando o que seria um comportamento resiliente, citamos um funcionário de uma empresa que comete um erro no trabalho e causa prejuízo ao seu superior. Após ter uma longa conversa e sentimentos negativos como medo de perder o emprego, insegurança, baixa autoestima, angústia e até tristeza, ele é capaz de aprender com o erro e, além disso, aperfeiçoar sua função de modo a garantir maior eficácia no seu trabalho demonstrando assim um comportamento resiliente. O funcionário poderia também ficar se sentindo mal pelo resto da semana, reduzindo sua produção e por consequência se desmotivando pelo erro o que só comprovaria ao seu superior que é um mal colaborador. Pode-se perceber, que no exemplo citado o funcionário age com maior eficácia quando foca na solução e não no erro, o qual já ocorreu e não pode ser mudado. Extrai do acontecido algo positivo que é o aprendizado, evitando maiores abalos emocionais e, por isso, garante energia para melhorar.
Obviamente, nem todas as pessoas são tão habilidosas e se encontram desestabilizadas em grande parte dos momentos da vida. Felizmente a resiliência pode ser desenvolvida e aprendida com auxílio de um profissional da Psicologia e é um dos traços que proporcionam a sensação de felicidade no ser humano, pois aprendendo a ser resiliente ele se torna capaz de confrontar as situações adversas, assim como enfrentar as tensões, aprendendo a ter desenvoltura e por isso confiança. A experiência traz um aprendizado positivo e contribui para focar na solução.
Quando os sintomas de estresse persistem por um período de tempo prolongado, podem surgir sentimentos relacionados à ansiedade e/ou depressão. Os mecanismos de defesa passam a não responder de forma natural e eficaz, o corpo está sob ameaça e esse é o "gatilho" para o estresse, dessa forma aumenta a probabilidade de ocorrer doenças. Já existem aprofundadas pesquisas sobre o assunto, as quais confirmam que trabalhar em ambientes estressantes e sob tensão pode aumentar em 70% o risco de um infarto e em 40% de outro evento cardiovascular ou até mesmo aumentar em 19% as chances de mulheres no desenvolvimento do diabetes.
O ambiente de trabalho, em geral, é o responsável pelo surgimento do estresse, especialmente se nele há excesso de competitividade, pressão, relacionamentos conflituosos e agressivos. No entanto existe também a pré-disposição do sujeito em razão do seu estado emocional; traços de personalidade específicos como dificuldade em de adaptação a novos ambientes, dificuldades nos relacionamentos interpessoais; ou por uma tendência a se sobrecarregar.
Por outro lado, é necessário abordar também o aspecto das relações de trabalho: a necessidade de haver uma boa gestão de pessoas e a importância do desenvolvimento da liderança nos cargos de chefia. Por volta de 1950 já é possível encontrar artigos sobre liderança, portanto não é um tema tão novo quanto tem sido abordado na atualidade, no entanto de difícil prática. Segundo estudos, 85% dos funcionários de empresas da iniciativa privada se demitem por causa dos chefes, e apenas 15% por outros motivos. Se as empresas estivessem de fato adotando o perfil de liderança na gestão de pessoas de forma adequada, não haveriam tantas demissões.
O que isso tem a ver com o estresse? Seria demasiado superficial tratar do assunto com enfoque apenas no sujeito afetado e não no elemento causador, afinal, normalmente ninguém fica estressado quando está de férias. Existem algumas práticas utilizadas no trabalho que diferem de acordo com a cultura da organização, as quais estão por consequência relacionadas com o aspecto psicológico dos funcionários. Tais práticas podem ser, tipos de manipulação das chefias para retirar o máximo de esforço dos seus funcionários como, pressão excessiva; ameaças sutis; foco no negativo em vez do positivo; desvalorização dos funcionários com objetivo de retirar mais produção dos mesmos; ambiente competitivo e hostil, entre outras. Essas táticas funcionam a curto prazo, mas ninguém quer ficar estressado e infeliz em um lugar por uma vida inteira, o que acaba por diminuir a empresabilidade (capacidade da empresa em reter talentos) e aumentar a rotatividade da organização, de fato, sem uma boa gestão não há como crescer. As pessoas têm sucesso, empresas não.
A redução dos fatores que causam o estresse no ambiente de trabalho é de grande importância e deve ser dada devida atenção. Algumas ações podem ser benéficas na diminuição do estresse, como: conservar o bom relacionamento no ambiente de trabalho; manter a calma em reuniões; gerenciar o tempo de trabalho para cada atividade; organizar as atividades de cada dia e delegar, se necessário, realizar testes e exames médicos periódicos; adaptar horários flexíveis e intervalos entre as atividades; ter um hobbie pode ser um bom escape; realizar campanhas de combate ao estresse no trabalho; manter uma rotina de atividade física e alimentação saudável com profissionais habilitados, bem como fazer um acompanhamento específico com profissional da área da Psicologia.
Cada pessoa reage de maneira diferente às situações adversas do cotidiano, a psicoterapia oferece o suporte necessário para uma melhoria na qualidade de vida, prevenindo doenças, promovendo bem estar psíquico e contribuindo para tornar o ambiente de trabalho mais agradável e profícuo, de forma a evitar demissões desnecessárias e doenças mais graves como a Depressão, Transtorno de Pânico e Ansiedade Generalizada. Pode contribuir tanto para os gestores, quanto para os funcionários sob efeitos do estresse, dotando-os de habilidades para lidar com a equipe e tornando-os resilientes diante das adversidades do cotidiano.

Paula Brenneisen - Psicóloga Clínica – CRP 08/21179
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No cotidiano da vida adulta existem responsabilidades de questões familiares, sociais, e, principalmente, profissionais, diferindo essa fase de outras como a infância, a adolescência e a velhice. Nessa fase, o indivíduo vive situações que consomem grande parte do seu dia com exigências que acabam por influenciar substancialmente seu emocional de diversas formas. A rotina atual toma conta de tal maneira que o tempo de reflexão sobre comportamentos e sentimentos diários acabam por se tornar naturalizados, ganhando importância secundária.
Essa rotina tem acarretado inúmeros sintomas e adoecimentos em sujeitos na fase adulta como ansiedade, depressão, fobia, síndrome do pânico, estresse, transtornos alimentares, dificuldades ao se relacionar com outras pessoas, entre outras. Também existem demandas advindas de outras áreas, presentes no curso natural da vida, como o envelhecimento, a maternidade ou paternidade, a menopausa, mudança de cargo ou emprego, mudança de cidade; a separação ou perda de entes queridos, entre outros fatores.
A psicoterapia tem como objetivo a compreensão do indivíduo e das relações que este estabelece com o mundo que o cerca, possibilitando dessa forma um maior entendimento sobre suas vivências, seus pensamentos, seus sentimentos, seus desejos e seu sofrimento, dessa forma, por meio do processo terapêutico, promover ao sujeito adulto uma vida com maior qualidade."O autoconhecimento tem um valor especial para o próprio indivíduo. Uma pessoa que se ‘tornou consciente de si mesma, por meio de perguntas que lhe foram feitas, está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento" (SKINNER, 1974, p. 31).
A psicoterapia comportamental considera que os pensamentos e sentimentos são comportamentos encobertos e podem ser atividades de um organismo como sonhar, pensar, sentir, intuir. Importa, para este estudo, que a psicoterapia comportamental devido a sua natureza trabalha primordialmente e, principalmente, com sentimentos e pensamentos. Na realidade, os clientes frequentemente vêm com a certeza de que seus problemas são causados por sentimentos e pensamentos, ou seja, as pessoas acreditam que os comportamentos encobertos são as causas de seus problemas. Por isso, uma das principais tarefas do terapeuta é conseguir levar seus clientes a perceber como seus sentimentos são apenas um aspecto a ser analisado e, como eles se relacionam a outros eventos do mundo interior e exterior. Criar condições para a discriminação das contingências que controlam os comportamentos é a condição básica para a eficácia da terapia.
O papel do terapeuta será o de criar condições para que seu cliente chegue à descriminação destas contingências e assim se torne um observador mais acurado de seu próprio comportamento. A partir do momento que adquire esta habilidade, o indivíduo estará mais apto a modificar seu comportamento e/ou ampliar seu repertório sendo mais assertivo na relação com o mundo que o cerca e, portanto, mais apto para enfrentar seu sofrimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
GUILHARDI, H.J. Auto-estima, autoconfiança e responsabilidade. Em: BRANDÃO, M.Z., CONTE, F.C.S. (Org). Comportamento Humano: Tudo (ou quase tudo) que você precisa saber para viver. Santo André: ESETec, 2002.

OTERO, V.R.L. Psicoterapia Funciona? Em: R.C. Wielenska (Org.): Sobre comportamento e cognição: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos. Santo André: ESEtec, 2000.
SKINNER, B.F.. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1974.

Paula Carolina Cardoso Brenneisen
Psicóloga – CRP- 08/21179

 Os pais ao decidir educar um filho têm uma tarefa difícil a enfrentar, uma pergunta primordial seria, "para que pretendo educar meu filho?" Talvez para ser no futuro grandioso, trabalhador, intelectual, honesto, esperto mas fato é que os pais as vezes ficam confusos entre a maneira em que foram criados, e a maneira denominada correta pelos especialistas. Uma criança pode ter infinitos tipos de criação, mas vamos abordar especificamente nesse estudo como educar para a maturidade.
A chamada maturidade se origina a partir de três sentimentos, esses são a autoestima, a autoconfiança e a responsabilidade. Sentimentos são formas de expressão corporal das pessoas e podem ser nomeados de diversas maneiras, como raiva, ódio, dor, tristeza, alegria, desespero, angústia, ansiedade entre outros.
Uma pessoa descobre os sentimentos e os nomeia de acordo como lhe é ensinada, seja por professores, pais ou pessoas que se relacionem com ela, essa aprendizagem não vem naturalmente deve haver uma boa explicação por parte das pessoas da convivência, assim a criança poderá no futuro entender seus próprios sentimentos e atingir a maturidade.
Com isso pode-se dizer que autoestima, autoconfiança e responsabilidade fazem parte do grupo de sentimentos que os seres humanos possuem, e por isso não são frutos da mente mas sim do corpo associados a eventos ambientais, sociais ou físicos que os disparam, são aprendidos pela pessoa desde sua infância no decorrer de suas experiências de vida e interações com outras pessoas.
A Psicologia deve retirar a ideia de que sentimentos causam ações nas pessoas, pois somente existe um sentimento por haver um acontecimento anterior a ele. Dessa maneira os sentimentos de baixa autoestima, baixa autoconfiança e baixa responsabilidade não podem ser causadores de comportamentos como: o de permanecer em uma relação amorosa doentia, ser passivo perante o trabalho e a vida, deixar de cumprir suas obrigações em casa, fazer uso de drogas ilícitas, ser espancado pelo parceiro amoroso. Então se conclui que os sentimentos, assim como os comportamentos (ou ações das pessoas), somente podem ser entendidos como causados por algo e não como causadores de ações, como é errado dizer que alguém bateu porque estava com raiva, e sim seria correto dizer bateu porque alguém lhe disse não para o que queria fazer.
Os sentimentos não nascem junto com a pessoa, mas podem ser desenvolvidos durante a vida, principalmente na infância. A autoestima é desenvolvida por meio de interações sociais reforçadoras positivas, uma criança que tem seus comportamentos reforçados pelos pais ou cuidadores com afeto e atenção provavelmente desenvolverá melhor esse sentimento no futuro do que uma criança que sofre criticas, desaprovação e afastamento afetivo.
Para que haja mais elevada autoestima, é necessário que os pais estejam atentos quanto à forma de elogiar a criança de modo a trazer mais satisfação possível a ela. Para que isso ocorra deve se iniciar prestando atenção em quais momentos a criança se comporta de maneira desejada, em seguida sempre elogiar, e as ações indesejadas não se deve falar nada. As frases de elogio devem destacar a criança e não o que ela fez como por exemplo: “que mangas deliciosas você conseguiu coletar na árvore da vovó” nessa frase a criança tem ênfase,  “você coletou umas mangas deliciosas da mangueira da vovó” e nessa frase tem o foco mais para a árvore do que para a criança.
O sentimento de autoconfiança está relacionado a comportamentos bem sucedidos e por isso reforçadores para a pessoa, diferente de auto estima que é feito por elogios de outras pessoas. Como exemplo de comportamentos que causam autoconfiança pode ser o de subir em uma arvore e pegar uma manga, a manga é o reforço, ou o comportamento de pedir a comida ao garçom e esse entender o pedido e trazer a refeição, a comida é o reforço, então o sentimento de autoconfiança está relacionado com comportamentos efetuados pela pessoa que são bem sucedidos.
Ao se dizer que alguém é seguro ou confiante quer dizer que aquela pessoa sabe exatamente o que fazer em determinados momentos para alcançar seus objetivos, de forma a agir sempre adequadamente para atingir sucesso e gratificação pessoal. E não é sucesso que os pais desejam a um filho? Então para que esse tipo de sentimento seja desenvolvido na infância, os pais ou cuidadores podem ajudar criando situações em que a criança possa se comportar de modo reforçador, então os pais não devem fazer as coisas pelas crianças e sim deixar que eles participem da própria educação fazendo mais tarefas eles mesmos, como por exemplo, a mãe em vez de ir a panificadora enquanto o filho espera em casa, ela pode pedir que o filho vá junto e compre o pão (ou qualquer outro item)  enquanto ela olha outra coisa, pode dar o dinheiro para ele pagar o caixa, e assim quando ele obter o que foi buscar será a origem de autossegurança na criança, assim a mãe ou cuidadora pode proporcionar diversas situações em que o sentimento de autoconfiança surja na criança que terá mais chances de ser um adulto confiante.
O sentimento de responsabilidade é advindo da obediência (coersão), sabe-se que castigos devem ser evitados até o último caso, no entanto devem estar presentes em alguns momentos para o desenvolvimento saudável da pessoa, pois sem a existência delas não se forma a coersão e sem a mesma não se desenvolve o sentimento de responsabilidade na criança.
A coersão (obediência por meio de castigos) deve ser feita de forma assertiva, se for exagerada pode causar sentimentos de ansiedade e medo o que poderá ocasionar comportamentos de mentira, se esconder, agressão, entre outros. Como exemplo de aplicação na prática: quando uma mãe diz ao filho mais velho que ele deve vigiar o irmão mais novo e não deixar que ele se machuque enquanto a mãe toma banho, se o filho mais velho não cumprir o que a mãe disse está implícito que sofrerá consequências aversivas então ele se obriga a cuidar do irmão e não deixar que ele se machuque, assim adquire responsabilidade.
A criança ao ser introduzida a sentimentos de responsabilidade começa a se comportar dessa maneira em vários lugares, como cuidar do jardim, ajudar a por a mesa para o jantar, sendo adequada pelo olhar dos pais ou cuidadores. Uma criança que faz seus deveres de casa, é gentil com as pessoas, vai para a escola pontualmente é considerada responsável pelas pessoas, e pode obter reforço positivo ao receber elogios das pessoas pelo seu comportamento admirável, é muito importante que esse tipo de elogio venha dos pais ou cuidadores também, quando perceberem que estão sendo obedecidos, dessa forma não se perde a obediência e a criança se motiva a continuar se comportando de forma desejada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
GUILHARDI, H.J. Auto-estima, autoconfiança e responsabilidade. Em: BRANDÃO, M.Z., CONTE, F.C.S. (Org). Comportamento Humano: Tudo (ou quase tudo) que você precisa saber para viver. Santo André: ESETec, 2002.

Paula Carolina Cardoso Brenneisen
Psicóloga – CRP- 08/21179

A constituição da identidade homossexual é enfatizada, principalmente, pela presença de pressão social sobre os sujeitos, o que pode causar resistência da escolha sexual pela problemática sobre aquilo que é socialmente aceito. Para compreender melhor como se constitui a identidade homossexual se faz importante destacar conceitos como estigma, rotulação, desenvolvimento da identidade estigmatizada, e perspectivas relacionadas à constituição da identidade na vida adulta. A partir dessas preocupações e conceitos se elaboraram formulações que podem explicar o processo por meio do qual se alcança uma existência como homossexual.

Um modelo interacionista propõe que o sujeito deve passar por quatro estágios, são eles: sensibilização, significação e desorientação, revelação e sub-culturalização e, por final, a estabilização. Relaciona-se à concepção da identidade homossexual como uma trajetória de vida envolvendo a adoção de uma autodefinição como homossexual, o aprendizado dos papéis correspondentes e a decisão de viver uma vida adulta a essa maneira.

Nesse modelo, cada estágio está associado a uma etapa da vida, o estágio de sensibilização corresponderia a determinadas experiências vividas na infância, pelos meninos, que dizem respeito a interesses, emoções e atividades (eróticas e genitais inclusive, mas não só) consideradas inadequadas às expectativas de seus respectivos papéis de gênero.

O estágio de significação e desorientação está relacionado à adolescência, nessa fase os interesses e sentimentos para com outros homens passariam a ser acentuados na consciência, dessa maneira é comum gerar sentimentos de ansiedade e confusão. Nesse período o sujeito pode vir a ter sentimentos também de marginalidade associados a se perceber diferente dos outros do ponto de vista do gênero. A adolescência se constitui de um período de conscientização do estigma, mas ainda sem o conhecimento do que significa de fato ser homossexual.

O estágio de revelação chamado depois de sub-culturalização ocorre na metade ou no final da adolescência, quando os homens começam hipoteticamente a estabelecer contatos com outros homens que se autodefinem como homossexuais. Dessa maneira os papéis podem ser aprendidos e os sujeitos podem se definir a esse modo. Por fim o quarto estágio corresponderia à maturidade, em que o sujeito finalmente constitui a identidade homossexual. Os sentimentos relativos a essa fase são, geralmente, de tranquilidade, aceitação, conforto com a própria homossexualidade de modo a se comprometer com ela como um modo de vida.

Esses modelos de estágios acompanhavam uma tradição interacionista em que identidades pessoais não são vistas como fundadas nas personalidades, mas como processos teoricamente abertos, que se desenvolvem no curso de experiências singulares. A perspectiva interacionista está relacionada à interação indivíduo-sociedade, que constrói a problemática da identidade como o relacionamento entre duas entidades distintas, destacando os constrangimentos relacionados a padronizações socioculturais. Assim, os modelos de estágio acabavam por impor uma ordem abstrata e artificial às histórias de vida, tendendo a retificar e simplificar transições que podem ser muito mais complexas e ocorrer em diferentes fases da vida.

Nessa linha, a identidade homossexual é desenvolvida desde a infância, com a consciência de desejos associados a rapazes e homens, que se consolida na adolescência, por meio de atividades homossexuais. A realização crescente dos desejos homossexuais é acompanhada por manifestações de intolerância da sociedade envolvente, através das condenações, recriminações, e chacotas da parte dos colegas e companheiros de escola, que provocam sentimentos de vergonha e autocrítica. Esses sentimentos de vergonha e perturbação, por sua vez, vêm a ser minimizados à medida que o "universo homossexual" é descoberto e se intensificam os contactos com outros que compartilham identidade sexual semelhante. Segue-se, então, a luta para assumir-se diante da família e dos amigos de fora da comunidade gay, à busca por relações afetivas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

PLUMMER, K. Sexual stigma: an interactionist account. Londres: Routledge, 1975.

SIMOES, J.A. Homossexualidade masculina e curso da vida: pensando idades e identidades sexuais. Departamento de Antropologia USP, Campinas [s.n.], 2003.

Paula Carolina Cardoso Brenneisen

Psicóloga – CRP- 08/21179