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10 Agosto 2015

MANIPULAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

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Paula Brenneisen – Psicóloga Clínica

Apoio Clínica 30382888 - 98049372

Ser uma pessoa livre significa ser consciente do seu direito em simplesmente não querer algo e embasar suas atitudes e comportamentos conforme suas convicções, sem medo da rejeição ou da solidão, pois está seguro de si. Por questão de interesses se pode dizer que algumas instituições não almejam pessoas com essa força de vontade desenvolvida, pensamento maduro e consciente que atuem e assumam a responsabilidade. Dessa maneira existem formas diferentes de manipulação em níveis variados, como na área social, política, da mídia ou nas relações interpessoais a qual daremos enfoque neste artigo.

Não é possível o estabelecimento da relação de manipulação se não houver a interação entre um indivíduo manipulado e um manipulador, na qual um se torne tão dependente quanto o outro. Esse tipo de relacionamento pode ser constatado quando uma pessoa se sente pressionada a fazer algo que não quer ou é coagida de alguma maneira por alguém, agindo de forma a abrir mão do livre arbítrio e se colocar em uma situação onde pode acabar consentindo com algo que apenas beneficia outrem.

Para que não seja manipulada a pessoa deve ser capaz de impor limites em suas relações, avaliando a situação previamente e dizendo não quando algo não lhe convier. Pode parecer simples dizer algo que deveria ser tão comum, no entanto, a base do relacionamento de manipulação se encontra no sentimento de medo do julgamento alheio, medo de ser rejeitado pelos outros, por isso é incapaz de dizer não na maioria das ocasiões. O manipulador ao perceber tal fraqueza tão sutil, joga com o manipulado, de forma a que esse pense que não será ou que será julgado como um fracassado, caso não venha a agir conforme a vontade desse outro.

Algumas características podem ajudar a identificar bem quem são as pessoas manipuladoras, a fim de trazer informações tornando os sujeitos mais conscientes nos seus relacionamentos e também estabelecer relações mais efetivas. Tais características podem ser: vitimização; culpabilização do outro pelas consequências de suas próprias atitudes; mudança brusca de comportamento perante pessoas diferentes; julgamento alheio exacerbado; sentimento de superioridade; egoísmo; levar em consideração apenas seus anseios sendo os dos outros desinteressantes.

No entanto, assim como o manipulador o manipulado também tem características distintas. Estas podem ser: vulnerabilidade; baixa autoestima; facilmente influenciado; dependente emocionalmente de outros; prevalência do sentimento de medo; necessidade de aprovação. Por que alguém renunciaria suas próprias vontades perante as vontades do outro? Em que esse indivíduo se beneficiaria por tal comportamento? Por que para ser agradável é necessário sempre dizer sim? Para esse indivíduo ser capaz de construir relacionamentos mais efetivos seria necessário ir em direção a uma autonomia emocional, para isso se faz necessário rever suas crenças.

Também é importante ressaltar que ninguém é capaz de estabelecer uma relação de manipulação sem o consentimento do manipulado que se deixa influenciar. Desenvolvendo a autonomia emocional a pessoa pode compreender quando deve dizer não, impondo limites aos outros e, assim, demonstrando valorização pessoal, tornando-se consciente de quem ela é, o que deseja, o que é melhor para si e o que não é, fortalecendo a autoestima e a confiança em suas convicções, em outras palavras começará a entender seu valor e o que merece não aceitando menos do que isso.