26 Junho 2015

ESTRESSE NO TRABALHO TEM SOLUÇÃO!

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ESTRESSE NO TRABALHO TEM SOLUÇÃO!

O trabalho é capaz de adoecer e o principal responsável por isso pode ser o estresse. Mas afinal que mal é esse que tem rondado tantas pessoas? O estresse se constitui de um mecanismo de defesa do corpo que pode desencadear sintomas, tanto físicos quanto psicológicos. O mesmo pode ser causado pela ansiedade devido a mudanças no estilo de vida e à exposição a um ambiente ou situações anormais, fazendo com que o corpo libere mais hormônios como a adrenalina e o cortisol provocando os seguintes sintomas: taquicardia; tensão muscular; boca seca; dores no estômago; irritabilidade; distúrbio no sono e apetite; sensação de cansaço; dificuldades na memória.
O corpo diante da percepção de um evento estressor normalmente reage de forma adaptativa, ou seja, ao constatar uma nova situação o corpo se prepara para enfrentá-la e por fim se adapta, dessa maneira atinge a elevação da resistência do organismo e estará mais preparado para situações futuras semelhantes. Depois de toda essa tensão e saída da zona de conforto, o corpo retorna para um estado equilibrado de relaxamento, pois apenas com descanso suficiente, o organismo é capaz de manter o equilíbrio necessário para a manutenção da saúde. Assim se o corpo continuar sendo exposto a mais eventos estressores, não terá capacidade de retornar ao estado de relaxamento inicial, o que a longo prazo, afeta a saúde do sujeito, portanto pode-se dizer que pessoas que possuem maior capacidade de adaptação a situações novas são menos susceptíveis à instalação do estresse e também mais resilientes.
Resiliência é o termo utilizado para se referir à capacidade das pessoas em retornar ao estado normal após um evento de adversidade.  Ainda relacionado ao termo, está a boa administração das Emoções, a habilidade de se manter sereno diante de adversidades da vida, o bom controle de impulsos para se manter racional e não agir no "calor das emoções", o otimismo de acreditar que sempre há uma maneira de melhorar, a análise do ambiente de forma a identificar as causas dos conflitos, a empatia que significa a capacidade de compreender as emoções e sentimentos dos outros, e a crença de que a pessoa tem de si mesma para resolver os próprios problemas. Em outras palavras a resiliência é a capacidade de encontrar a "passagem secreta" de um "beco sem saída", em outras palavras, a habilidade de encontrar uma solução quando a situação aparentemente não possui resolução.
Exemplificando o que seria um comportamento resiliente, citamos um funcionário de uma empresa que comete um erro no trabalho e causa prejuízo ao seu superior. Após ter uma longa conversa e sentimentos negativos como medo de perder o emprego, insegurança, baixa autoestima, angústia e até tristeza, ele é capaz de aprender com o erro e, além disso, aperfeiçoar sua função de modo a garantir maior eficácia no seu trabalho demonstrando assim um comportamento resiliente. O funcionário poderia também ficar se sentindo mal pelo resto da semana, reduzindo sua produção e por consequência se desmotivando pelo erro o que só comprovaria ao seu superior que é um mal colaborador. Pode-se perceber, que no exemplo citado o funcionário age com maior eficácia quando foca na solução e não no erro, o qual já ocorreu e não pode ser mudado. Extrai do acontecido algo positivo que é o aprendizado, evitando maiores abalos emocionais e, por isso, garante energia para melhorar.
Obviamente, nem todas as pessoas são tão habilidosas e se encontram desestabilizadas em grande parte dos momentos da vida. Felizmente a resiliência pode ser desenvolvida e aprendida com auxílio de um profissional da Psicologia e é um dos traços que proporcionam a sensação de felicidade no ser humano, pois aprendendo a ser resiliente ele se torna capaz de confrontar as situações adversas, assim como enfrentar as tensões, aprendendo a ter desenvoltura e por isso confiança. A experiência traz um aprendizado positivo e contribui para focar na solução.
Quando os sintomas de estresse persistem por um período de tempo prolongado, podem surgir sentimentos relacionados à ansiedade e/ou depressão. Os mecanismos de defesa passam a não responder de forma natural e eficaz, o corpo está sob ameaça e esse é o "gatilho" para o estresse, dessa forma aumenta a probabilidade de ocorrer doenças. Já existem aprofundadas pesquisas sobre o assunto, as quais confirmam que trabalhar em ambientes estressantes e sob tensão pode aumentar em 70% o risco de um infarto e em 40% de outro evento cardiovascular ou até mesmo aumentar em 19% as chances de mulheres no desenvolvimento do diabetes.
O ambiente de trabalho, em geral, é o responsável pelo surgimento do estresse, especialmente se nele há excesso de competitividade, pressão, relacionamentos conflituosos e agressivos. No entanto existe também a pré-disposição do sujeito em razão do seu estado emocional; traços de personalidade específicos como dificuldade em de adaptação a novos ambientes, dificuldades nos relacionamentos interpessoais; ou por uma tendência a se sobrecarregar.
Por outro lado, é necessário abordar também o aspecto das relações de trabalho: a necessidade de haver uma boa gestão de pessoas e a importância do desenvolvimento da liderança nos cargos de chefia. Por volta de 1950 já é possível encontrar artigos sobre liderança, portanto não é um tema tão novo quanto tem sido abordado na atualidade, no entanto de difícil prática. Segundo estudos, 85% dos funcionários de empresas da iniciativa privada se demitem por causa dos chefes, e apenas 15% por outros motivos. Se as empresas estivessem de fato adotando o perfil de liderança na gestão de pessoas de forma adequada, não haveriam tantas demissões.
O que isso tem a ver com o estresse? Seria demasiado superficial tratar do assunto com enfoque apenas no sujeito afetado e não no elemento causador, afinal, normalmente ninguém fica estressado quando está de férias. Existem algumas práticas utilizadas no trabalho que diferem de acordo com a cultura da organização, as quais estão por consequência relacionadas com o aspecto psicológico dos funcionários. Tais práticas podem ser, tipos de manipulação das chefias para retirar o máximo de esforço dos seus funcionários como, pressão excessiva; ameaças sutis; foco no negativo em vez do positivo; desvalorização dos funcionários com objetivo de retirar mais produção dos mesmos; ambiente competitivo e hostil, entre outras. Essas táticas funcionam a curto prazo, mas ninguém quer ficar estressado e infeliz em um lugar por uma vida inteira, o que acaba por diminuir a empresabilidade (capacidade da empresa em reter talentos) e aumentar a rotatividade da organização, de fato, sem uma boa gestão não há como crescer. As pessoas têm sucesso, empresas não.
A redução dos fatores que causam o estresse no ambiente de trabalho é de grande importância e deve ser dada devida atenção. Algumas ações podem ser benéficas na diminuição do estresse, como: conservar o bom relacionamento no ambiente de trabalho; manter a calma em reuniões; gerenciar o tempo de trabalho para cada atividade; organizar as atividades de cada dia e delegar, se necessário, realizar testes e exames médicos periódicos; adaptar horários flexíveis e intervalos entre as atividades; ter um hobbie pode ser um bom escape; realizar campanhas de combate ao estresse no trabalho; manter uma rotina de atividade física e alimentação saudável com profissionais habilitados, bem como fazer um acompanhamento específico com profissional da área da Psicologia.
Cada pessoa reage de maneira diferente às situações adversas do cotidiano, a psicoterapia oferece o suporte necessário para uma melhoria na qualidade de vida, prevenindo doenças, promovendo bem estar psíquico e contribuindo para tornar o ambiente de trabalho mais agradável e profícuo, de forma a evitar demissões desnecessárias e doenças mais graves como a Depressão, Transtorno de Pânico e Ansiedade Generalizada. Pode contribuir tanto para os gestores, quanto para os funcionários sob efeitos do estresse, dotando-os de habilidades para lidar com a equipe e tornando-os resilientes diante das adversidades do cotidiano.

Paula Brenneisen - Psicóloga Clínica – CRP 08/21179
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