25 Fevereiro 2015

O papel do terapeuta frente aos sentimentos do cliente.

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Uma pessoa descobre os sentimentos e os nomeia de acordo como lhe é ensinada, seja por professores, pais ou pessoas que se relacionem com ela, essa aprendizagem não vem naturalmente deve haver uma explicação plausível por parte das pessoas da convivência para que essa criança possa, no futuro, entender e lidar melhor com seus próprios sentimentos. Com isso pode-se dizer que tristeza, raiva, alegria, amor, ódio, cansaço, saudade, entre muitos outros são parte do grupo de sentimentos que os seres humanos possuem. Não são frutos da mente mas sim do corpo associados a eventos ambientais, sociais ou físicos que os disparam, são aprendidos pela pessoa desde sua infância no decorrer de suas experiências de vida e interações com outras pessoas.
Para os leigos os sentimentos podem ser explicados como uma função causal, em que causam ações como bater ou fugir, o papel da Psicologia é de desfazer essa forma de pensar e mostrar que não é tão simples assim, deve-se levar em consideração outros componentes mais complexos. Para que um comportamento aconteça sempre existe um evento antecedente e uma consequência, então durante esse processo existem alterações no organismo que são os chamados de sentimentos, a Psicologia deve retirar a ideia causal atribuída aos sentimentos. Somente se observar os eventos antecedentes, os comportamentos operantes e respondentes e a interação entre eles poderá se compreender o que acontece com determinada pessoa. Dessa maneira os sentimentos, mesmo os mais elaborados, não podem ser causadores de ações assim retirando a responsabilidade do sujeito. Como por exemplo quando alguém decide permanecer em uma relação amorosa doentia por ser uma pessoa com autoestima baixa; ser passivo perante o trabalho e a vida; por ter baixa autoconfiança; ou deixar de cumprir suas obrigações em casa por ser irresponsável. Então se conclui que os sentimentos, assim como os comportamentos, somente podem ser compreendidos como uma produção de eventos antecedentes.
As contingências de reforçamento presentes na vida do sujeito tem potencial suficiente para modelar, manter ou enfraquecer quaisquer comportamentos desejados ou indesejados. É tarefa complexa identificar e manejar o conjunto dessas contingências, dizer então que os sentimentos causam comportamentos seria demasiadamente simplista. Desse modo atribuir aos sentimentos como medo, ansiedade, tristeza e stress, função causal é considerado como causas fictícias de comportamento na psicoterapia.
Pode-se concluir que a tarefa do psicoterapeuta comportamental é criar condições para que o cliente entre em contato com as contingências atuantes em sua vida, para que consiga ficar no controle de si mesmo e não de contingências que, frequentemente, nem são identificadas. A utilização dos encobertos, sejam eles sonhos, fantasias ou sentimentos, tem se mostrado uma alternativa rápida e eficaz na psicoterapia. Também é papel dele identificar as relações funcionais nas contingências de reforçamento e não aventar outras causas para os comportamentos, tais como motivação, sentimentos, doenças mentais entre outros. Então para manter o nível de análise de contingências se faz necessário a compreensão de padrões complexos de comportamento, ou seja, o comportamento antecedente que causou os sentimentos é que se constitui relevante para a análise.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
DELITTI, M. O uso de Encobertos na Terapia Comportamental. Ribeirão Preto: Temas psicologia, 1993.
GUILHARDI, H.J. Considerações sobre o papel do terapeuta ao lidar com os sentimentos do cliente  Em: Brandão, M.Z. (Org.)Vol 13. Sobre Comportamento e Cognição. ESETec: Santo André, 2004.
GUILHARDI, H.J. Auto-estima, autoconfiança e responsabilidade. Em: BRANDÃO, M.Z., CONTE, F.C.S. (Org). Comportamento Humano: Tudo (ou quase tudo) que você precisa saber para viver. Santo André: ESETec, 2002.

Paula Carolina Cardoso Brenneisen
Psicóloga – CRP- 08/21179

Última modificação em Sexta, 26 Junho 2015 16:39