25 Fevereiro 2015

Como educar crianças para a maturidade.

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 Os pais ao decidir educar um filho têm uma tarefa difícil a enfrentar, uma pergunta primordial seria, "para que pretendo educar meu filho?" Talvez para ser no futuro grandioso, trabalhador, intelectual, honesto, esperto mas fato é que os pais as vezes ficam confusos entre a maneira em que foram criados, e a maneira denominada correta pelos especialistas. Uma criança pode ter infinitos tipos de criação, mas vamos abordar especificamente nesse estudo como educar para a maturidade.
A chamada maturidade se origina a partir de três sentimentos, esses são a autoestima, a autoconfiança e a responsabilidade. Sentimentos são formas de expressão corporal das pessoas e podem ser nomeados de diversas maneiras, como raiva, ódio, dor, tristeza, alegria, desespero, angústia, ansiedade entre outros.
Uma pessoa descobre os sentimentos e os nomeia de acordo como lhe é ensinada, seja por professores, pais ou pessoas que se relacionem com ela, essa aprendizagem não vem naturalmente deve haver uma boa explicação por parte das pessoas da convivência, assim a criança poderá no futuro entender seus próprios sentimentos e atingir a maturidade.
Com isso pode-se dizer que autoestima, autoconfiança e responsabilidade fazem parte do grupo de sentimentos que os seres humanos possuem, e por isso não são frutos da mente mas sim do corpo associados a eventos ambientais, sociais ou físicos que os disparam, são aprendidos pela pessoa desde sua infância no decorrer de suas experiências de vida e interações com outras pessoas.
A Psicologia deve retirar a ideia de que sentimentos causam ações nas pessoas, pois somente existe um sentimento por haver um acontecimento anterior a ele. Dessa maneira os sentimentos de baixa autoestima, baixa autoconfiança e baixa responsabilidade não podem ser causadores de comportamentos como: o de permanecer em uma relação amorosa doentia, ser passivo perante o trabalho e a vida, deixar de cumprir suas obrigações em casa, fazer uso de drogas ilícitas, ser espancado pelo parceiro amoroso. Então se conclui que os sentimentos, assim como os comportamentos (ou ações das pessoas), somente podem ser entendidos como causados por algo e não como causadores de ações, como é errado dizer que alguém bateu porque estava com raiva, e sim seria correto dizer bateu porque alguém lhe disse não para o que queria fazer.
Os sentimentos não nascem junto com a pessoa, mas podem ser desenvolvidos durante a vida, principalmente na infância. A autoestima é desenvolvida por meio de interações sociais reforçadoras positivas, uma criança que tem seus comportamentos reforçados pelos pais ou cuidadores com afeto e atenção provavelmente desenvolverá melhor esse sentimento no futuro do que uma criança que sofre criticas, desaprovação e afastamento afetivo.
Para que haja mais elevada autoestima, é necessário que os pais estejam atentos quanto à forma de elogiar a criança de modo a trazer mais satisfação possível a ela. Para que isso ocorra deve se iniciar prestando atenção em quais momentos a criança se comporta de maneira desejada, em seguida sempre elogiar, e as ações indesejadas não se deve falar nada. As frases de elogio devem destacar a criança e não o que ela fez como por exemplo: “que mangas deliciosas você conseguiu coletar na árvore da vovó” nessa frase a criança tem ênfase,  “você coletou umas mangas deliciosas da mangueira da vovó” e nessa frase tem o foco mais para a árvore do que para a criança.
O sentimento de autoconfiança está relacionado a comportamentos bem sucedidos e por isso reforçadores para a pessoa, diferente de auto estima que é feito por elogios de outras pessoas. Como exemplo de comportamentos que causam autoconfiança pode ser o de subir em uma arvore e pegar uma manga, a manga é o reforço, ou o comportamento de pedir a comida ao garçom e esse entender o pedido e trazer a refeição, a comida é o reforço, então o sentimento de autoconfiança está relacionado com comportamentos efetuados pela pessoa que são bem sucedidos.
Ao se dizer que alguém é seguro ou confiante quer dizer que aquela pessoa sabe exatamente o que fazer em determinados momentos para alcançar seus objetivos, de forma a agir sempre adequadamente para atingir sucesso e gratificação pessoal. E não é sucesso que os pais desejam a um filho? Então para que esse tipo de sentimento seja desenvolvido na infância, os pais ou cuidadores podem ajudar criando situações em que a criança possa se comportar de modo reforçador, então os pais não devem fazer as coisas pelas crianças e sim deixar que eles participem da própria educação fazendo mais tarefas eles mesmos, como por exemplo, a mãe em vez de ir a panificadora enquanto o filho espera em casa, ela pode pedir que o filho vá junto e compre o pão (ou qualquer outro item)  enquanto ela olha outra coisa, pode dar o dinheiro para ele pagar o caixa, e assim quando ele obter o que foi buscar será a origem de autossegurança na criança, assim a mãe ou cuidadora pode proporcionar diversas situações em que o sentimento de autoconfiança surja na criança que terá mais chances de ser um adulto confiante.
O sentimento de responsabilidade é advindo da obediência (coersão), sabe-se que castigos devem ser evitados até o último caso, no entanto devem estar presentes em alguns momentos para o desenvolvimento saudável da pessoa, pois sem a existência delas não se forma a coersão e sem a mesma não se desenvolve o sentimento de responsabilidade na criança.
A coersão (obediência por meio de castigos) deve ser feita de forma assertiva, se for exagerada pode causar sentimentos de ansiedade e medo o que poderá ocasionar comportamentos de mentira, se esconder, agressão, entre outros. Como exemplo de aplicação na prática: quando uma mãe diz ao filho mais velho que ele deve vigiar o irmão mais novo e não deixar que ele se machuque enquanto a mãe toma banho, se o filho mais velho não cumprir o que a mãe disse está implícito que sofrerá consequências aversivas então ele se obriga a cuidar do irmão e não deixar que ele se machuque, assim adquire responsabilidade.
A criança ao ser introduzida a sentimentos de responsabilidade começa a se comportar dessa maneira em vários lugares, como cuidar do jardim, ajudar a por a mesa para o jantar, sendo adequada pelo olhar dos pais ou cuidadores. Uma criança que faz seus deveres de casa, é gentil com as pessoas, vai para a escola pontualmente é considerada responsável pelas pessoas, e pode obter reforço positivo ao receber elogios das pessoas pelo seu comportamento admirável, é muito importante que esse tipo de elogio venha dos pais ou cuidadores também, quando perceberem que estão sendo obedecidos, dessa forma não se perde a obediência e a criança se motiva a continuar se comportando de forma desejada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:
GUILHARDI, H.J. Auto-estima, autoconfiança e responsabilidade. Em: BRANDÃO, M.Z., CONTE, F.C.S. (Org). Comportamento Humano: Tudo (ou quase tudo) que você precisa saber para viver. Santo André: ESETec, 2002.

Paula Carolina Cardoso Brenneisen
Psicóloga – CRP- 08/21179

Última modificação em Sexta, 26 Junho 2015 16:40