28 Fevereiro 2014

A Ocasião revela o Ladrão

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    Um dia desses, em uma conversa informal com um grupo de amigos, conversávamos sobre nossas atitudes e de outras pessoas em relação ao mundo em que vivemos e nos veio à mente o ditado “A ocasião faz o ladrão!” e um desses amigos sabiamente colocou que “A ocasião revela o ladrão!”, pois a construção da personalidade e caráter demora um tempo e pode ser aprimorada dependendo do desejo do ser e do contexto no qual está inserido, portanto nem somente o indivíduo é culpado e nem tão pouco o ambiente.
    Esta reflexão se faz necessário neste momento histórico que vivemos. Muitos protestos com depredações de patrimônios públicos, com perdas de pessoas inocentes ou prejuízos em nossas vidas, muitas vezes irrecuperáveis. Então onde é possível agir para termos protestos justos e conscientes? É claro que as manifestações são importantes, pois revela o desejo de uma sociedade e pode ser um guia para o poder público desenvolver projetos que atendam o anseio da comunidade. Por outro lado, como lidar com pessoas que vão às ruas para agredir, para depredar, para machucar? Para estes casos precisamos refletir: se a personalidade se estrutura a partir das relações afetivas que embasam o desenvolvimento de valores e limites construídos na família de origem, em sincronia com a escola e a comunidade em que viveram, são estes contextos que necessitam ser revistos e alinhados para uma nova sociedade, onde todos tenham direitos, mas também deveres e saibam que os limites são necessários para um viver social. Só assim se poderá ser um participante real no planejamento de uma sociedade. Não se omitindo do viver político e da contribuição com seu saber. Estamos cansados de ouvir que a esperança está nas crianças. Acreditamos que a esperança está em cada um de nós: pais, professores, profissionais e representantes da comunidade, em nossas atitudes, pois o exemplo educa muito mais que o discurso.
    Portanto, somos também responsáveis por tudo que está acontecendo ao nos omitir de participar de uma forma consciente e reflexiva, responsável e crítica, da busca do bem comum. Quando queremos fazer valer tão somente nossa vontade, em uma atitude egoísta, e muitas vezes partidária, estamos contribuindo para criar esta sociedade destrutiva. Desta forma, não é a ocasião que cria possibilidades da pessoa ser isso ou aquilo. Mas sim, a ocasião possibilita que a pessoa demonstre o que ela realmente é.
Sempre que tivermos oportunidade, querendo ou não, estaremos revelando o que realmente somos. Logo, muito importante é estarmos preparados, prontos para qualquer ocasião, nos revelando pessoas capazes de um viver social consciente.

Psicóloga - Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler
CRP 08/03539

Psicóloga - Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

 

Última modificação em Sexta, 28 Fevereiro 2014 16:21