30 Janeiro 2014

Vivencia emocional e papel materno

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No segundo domingo de maio comemora-se o Dia das Mães. Por esta razão achamos relevante escrever sobre o papel materno na atualidade, levando em consideração as mais diversas configurações familiares onde o modelo pai-mãe-filhos já não é mais o conceito de família.

A família hoje tomou diversas configurações. Temos muitas mulheres criando sozinha seus filhos, assim como homens criando também os seus. Há filhos criados pelos avós, casais homoafetivos formando suas famílias. Famílias extensas com estrutura de pai-madrasta-filhos, mãe-padrasto-filhos, numa configuração de: os meus, os seus, os nossos filhos, enfim, muitos desenhos familiares.
Diante disso, precisamos refletir sobre o papel materno relacionado com o cuidado, com o amor na vivencia no emocionar humano, criando seres sociais inseridos nesta cultura patriarcal na qual vivemos. Refletir também sobre o modelo social matrístico que traz outro jeito de olhar e compreender a vivencia social, trazendo a esperança de um modelo harmônico de viver.

O modelo de vivencia patriarcal pressupõe que existe um ser que impõe sua vontade sobre o outro, que cria figuras de poder e de competição, de ordens impostas. Então os pais inseridos neste modelo educam seus filhos para esta vivencia social de controle, de poder e imposições.

O modelo matrístico que serve hoje como base para nossa reflexão, entende que a vivencia do respeito ao desejo do outro e ao meu próprio desejo, abre um canal de conversação entre os seres que compõe uma família, proporcionando momentos de crescimento em um clima de confiança onde a competição dá lugar à cooperação e as pessoas não necessitam submeter-se. Todos se comportam como seres pertencentes ao sistema e, portanto responsáveis pelo que pode acontecer. A consciência do que se quer, do respeito por si e pelo outro, são as únicas coisas que nos permitem ser responsáveis nos empreendimentos, possibilitando que a biologia do amor seja nosso fundamento e não o desejo do controle e do domínio.

Esta vivencia amorosa que temos cristalizada no papel de mãe, pode ser vivida no ato de brincar com os filhos e do emocionar-se. Na sociedade em que vivemos valorizamos o racional, o lógico, em detrimento do emocional, isto pode ser visto nas organizações de aprendizagens com muitos conteúdos e poucas vivências e compreensão do outro. Não estamos falando que o lógico e o racional não são importantes, mas sim que a vivencia emocional precisa estar em sincronia, pois hoje, na maioria das vezes, “coisificamos” os momentos possíveis de serem vividos com os filhos dando a eles presentes caros que nos obrigam a trabalhar mais para pagar, e nos roubam dos momentos importantes de interação para a construção deste ser social e de nossa própria reconstrução.

Entendemos que a vida nos dá uma segunda oportunidade quando nos tornamos mães e assim viver a proximidade emocional que não conseguimos construir com nossos pais. Lemos muitos livros e tentamos aplicar as teorias lidas, como se pudéssemos com isso transformar nosso filho no que sonhamos para ele. Com isso queremos impor o que é certo, mas não criamos oportunidade de olhar para ele e descobrir qual é o seu potencial. Não nos colocamos no papel de jardineiro que recebeu uma semente valiosa e que precisa ser plantada em um solo e fertilizar, acompanhando o que acontece em seu entorno, regando quando necessário e privando de água quando entendemos que precisa criar raízes fortes e buscar água em outras fontes; podar quando percebemos que precisa criar bases firmes para dar flores e frutos que venham a contribuir com o bosque e não somente consigo mesmo. Com esta metáfora queremos dizer que mãe é o ser que dá vida, não necessariamente com a gestação, mas com o ato de amor e de cuidado nos mais diversos períodos de vida. E ainda, é o ser que compreende que uma fase não é melhor ou pior que a outra se criamos proximidade que gera confiança como um bom jardineiro faz com a planta.

Portanto, neste dia e em todos os dias, queremos homenagear as pessoas que se dispõe a refletir sobre o seu papel de “jardineiro-mãe”, entendendo sua responsabilidade e comprometimento com a semente recebida, seja ela um filho, um projeto ou um chamado para transformar a vida de todos os seres oferecendo para a Mãe Terra o equilíbrio para continuar existindo.

 

Psicóloga - Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler
CRP 08/03539

Psicóloga - Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

Última modificação em Quinta, 30 Janeiro 2014 17:07