27 Janeiro 2014

Culpa & Desculpas

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Na escuta terapêutica, bem como no convívio social e familiar, frequentemente escutamos as pessoas buscando culpados ou desculpas para os seus dissabores da vida. Muito pouco as observamos refletir sobre sua participação na continuidade de um mal que traz sofrimento para si e para quem está em seu entorno. Ao se tomar consciência de um problema criado este pode cessar, já a continuidade das atitudes, o perpetua. Quando acreditamos que o outro é culpado ou justificamos nossos atos, dificilmente encontraremos a solução. Esta dinâmica do agir humano leva a comportamentos muitas vezes patológicos que necessitam de ajuda terapêutica para diminuir o quadro de ansiedade que se instala.

Ao refletir sobre a história da humanidade e a origem de não se assumir a participação na culpa (responsabilidade), nos vem à lembrança uma passagem bíblica que relata quando Deus indaga a Adão: “Por que pecastes?” e ele responde: “A mulher que me deste me induziu a pecar”. Então o Senhor pergunta a Eva: “Porque pecaste e induziu Adão a fazê-lo?” e Eva responde: “A serpente foi quem me induziu mostrando-me que seria muito bom comer do fruto proibido”. E então o Senhor disse que a serpente iria rastejar por toda a eternidade... Esta passagem nos traz conteúdo para que possamos refletir. Tanto Adão quanto Eva poderiam ter dito NÃO às tentações, mas não o fizeram e colocaram a culpa em outro. Assim também observamos no dia a dia. Há pessoas que colocam a culpa no outro e acham desculpas para muitas vezes procrastinar. A situação, pois, vai evoluindo de tal forma, que exige do indivíduo habilidades cada vez maiores para justificar seu fazer ou não fazer. Por acreditar que ao desenvolver estas habilidades sempre poderá enganar, levar vantagens ou impedir o sofrimento do outro, cria dentro de si um sentimento de grande solidão. Isto ocorre porque as pessoas por não confiarem mais neste indivíduo estão sempre se perguntando se o que ele fala é ou não real. Em virtude disto, frequentemente não o levam a sério em sua vida de relações, bem como em sua vida profissional. É sabido que até mesmo os mais hábeis na arte de enganar acabaram deixando rastros, principalmente aos que estão em seu redor, e quando a confiança é quebrada exige muito mais energia para provar o contrário em situações futuras.

Neste início de ciclo do ano de 2014, queremos propor uma reflexão sobre o desculpar ou culpar os outros pelos nossos atos. Sugerimos uma tomada de consciência, pois em todos os momentos podemos refletir sobre qual poderá ser a melhor solução para nossa vida mental e emocional. Diante desta reflexão, poderemos dizer NÃO para atitudes que temos a consciência que podem fazer mal a nós mesmos ou a outras pessoas por vezes tão queridas. E ainda, devemos entender que achar desculpas para procrastinar situações que exigem soluções só vai fazer com que a vida não evolua. Este não crescimento, não evolução, traz a sensação cada vez maior de menos valia e desmotivação, aumentando o quadro de ansiedade que provoca sérias doenças psicossomáticas, e pior, dificulta a vida de relações. Portanto, achar culpados ou desculpas pode ser patológico e necessita de cuidados profissionais. Pois entendemos que viver com responsabilidade, com atitude reflexiva e comprometida com as conseqüências, possibilita o bom convívio e uma vida em harmonia.

 

Psicóloga - Terapeuta Familiar e de Casal
Noemi Paulina Cappellesso Finkler
CRP 08/03539

Psicóloga - Terapeuta Familiar e de Casal
Elisa Mara Ribeiro da Silva
CRP 08/03543

Última modificação em Segunda, 10 Fevereiro 2014 15:06